Contextualização institucional e regional da proposta

O Estado de Minas Gerais possui onze Instituições de Ensino Superior (IES) federais e várias estaduais, além de diversas particulares. As IES federais são: Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/Alfenas); Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI/Itajubá); Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF/Juiz de Fora); Universidade Federal de Lavras (UFLA/Lavras); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/Belo Horizonte); Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP/Ouro Preto); Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ /São João del-Rei); Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM/Uberaba); Universidade Federal de Uberlândia (UFU/Uberlândia); Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM/Diamantina); Universidade Federal de Viçosa (UFV/Viçosa). Durante os últimos anos foram criados vários cursos de Graduação em Química (Licenciatura e/ou Bacharelado) nessas diferentes Instituições Federais Mineiras citadas acima, em seus novos Campi ou em outras Instituições, como, por exemplo, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Centro Universitario de Caratinga-UNEC de Nanuque, Centro Universitario de Formiga, Centro Universitario de Patos de Minas, Faculdade de Filosofia Ciencias e Letras Santa Marcelina, Fundação Educacional de Caratinga, Fundaçao Educacional de Divinópolis, Fundação Educacional de Ituiutaba, Universidade de Itauna, Universidade do Estado de Minas Gerais-UEMG e Unimontes-Montes Claros.
Apesar de possuir várias IES com vários cursos de graduação em Química, em 2013 o Estado de Minas Gerais apresentava apenas quatro IES com curso de Doutorado em Química (UFMG, UFJF, UFU e UNIFAL), sendo que a UFVJM e a UFOP possuem somente o curso de Mestrado em Química. As outras Instituições possuiam um Departamento (ou Instituto) de Química e alguns dos seus professores participam do corpo docente de Programas de Pós-Graduação em áreas correlatas como Agroquímica, Ciências Farmacêuticas ou Ciências dos Materiais.
A proposta de criação de um Programa  de Pós-Graduação Multicêntrico em Química de Minas Gerais (PPGMQ-MG) atende a demandas institucionais e estaduais. Através da pesquisa em Química, pretende-se elaborar a construção coletiva do conhecimento, visando despertar potencialidades locais e educacionais, no sentido de formar um coletivo de professores/pesquisadores, que apontem soluções e alternativas para os constantes desafios que a área de Química apresenta.
Ao mesmo tempo, o PPGMQ-MG visa atender a uma demanda crescente de formação de recursos humanos de alto nível no Estado de Minas Gerais, pois os profissionais graduados necessitam de formação continuada, bem como aprimoramento de seus estudos, que somente um curso de Pós-Graduação Stricto Sensu pode oferecer. Minas Gerais é um Estado onde a existência de disparidades regionais é visível e este Programa de Pós-Graduação em Rede certamente irá contribuir para a diminuição desses efeitos aproximando as instituições de ensino e pesquisa mineiras e proporcionando maior integração da Química em Minas Gerais.

Histórico do curso

A Rede Mineira de Química (RQ-MG) foi criada em 2009 durante o XXIII Encontro Regional da SBQ-MG, UFJF, Juiz de Fora. A Rede conta atualmente com 200 pesquisadores do Estado, os quais representam as 11 Universidades Federais descritas no item 5.1 e uma IES estadual (UNIMONTES/Montes Claros). O objetivo geral da RQ-MG é o de coordenar atividades que promovam a pesquisa e inovação em Química no Estado de Minas Gerais, tais como: identificar competências humanas e de infra-estrutura já estabelecidas e com potencial para consolidação; elaborar propostas de re-aparelhagem do parque de pesquisa estadual e organizar encontros da comunidade para discussões científicas e políticas, buscando gerar diretrizes para o relacionamento da comunidade de química com o Governo e a sociedade. O projeto da Fase-I da RQ-MG, contando com substancial apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), em desenvolvimento a partir de Março/2011, tem como meta principal o levantamento de distorções e desigualdades regionais, visando identificar e integrar competências humanas. Mais informações podem ser obtidas no site da mesma (http://www.rqmg.com.br/).
As atividades executadas pela RQ-MG, neste curto espaço de tempo desde sua criação, envolveu o levantamento de dados de todas as instituições participantes, condições e demandas de infraestrutura em pesquisa, grupos de pesquisadores potenciais que possam estabelecer colaborações científicas, grupos de excelência e suas áreas de atuação, além da organização de um plano objetivo e eficiente para o compartilhamento de recursos materiais existentes e elaboração de projetos de pesquisa visando a aquisição de equipamentos de uso comum aos membros da RQ-MG, promovendo assim uma maior interação entre pesquisadores mineiros. Foram elaborados relatórios para cada uma dessas visitas técnicas e um livro sobre a “Química no estado de Minas Gerais ” está em fase final de elaboração. As duas ações mais recentes da Rede que devem ser destacadas são a criação da Central Analítica da Rede sediada na UFSJ, em São João del-Rei, para atender aos pesquisadores de todas as regiões do Estado de Minas Gerais, e essa proposta de criação do Curso de Pós-Graduação em Rede envolvendo pesquisadores de quase todas as regiões do Estado. Durante as Visitas Técnicas, realizadas por um Grupo de Trabalho da RQ-MG no período de Mai/2011 a Set/2012, às doze IES de Minas Gerais citadas acima, e nos cinco encontros temáticos da RG-MQ realizados em 05 IES diferentes do Interior de MG, constatou-se a necessidade de implantação de um novo curso de Pós-Graduação em Química no Estado. Por exemplo, verificou-se que algumas IES já haviam enviado a CAPES solicitações de criação de novo curso de Mestrado em Química, tendo essas sido negadas por essa Agencia por diferentes razões.
Assim, foi criado um Grupo de Discussões com representantes das doze IES descritas acima. Foram realizadas várias reuniões com o intuito de encontrar um modelo adequado de Pós-Graduação em Química, associativa ou multicêntrica, que pudesse atender aos anseios das diferentes IES sem prejudicar os Programas de Pós-Graduação já existentes no Estado, sejam em Química ou áreas correlatas. Após várias reuniões, optou-se por um Programa Multicêntrico em Química, tendo como ponto de referência o Programa Multicêntrico em Fisiologia, coordenado pela Sociedade Brasileira de Fisiologia, aprovado pela CAPES. Algumas diferenças entre o Programa Multicêntrico em Química e aquele da Fisiologia podem ser observadas, pois esse último engloba IES de varios Estados enquanto o primeiro tem a participação de várias IES do mesmo Estado.
Para a participação das IES nessa proposta, foram consultados os respectivos Departamentos e Colegiados de Pós-graduação em Química ou em áreas correlatas (quando existentes), antes de obter o apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da IES. Apesar de sempre ter havido consenso entre os representantes das 12 IES que fazem parte da RQ-MG, algumas IES, após reuniões de seus Colegiados de Pós-Graduação ou Departamentais, optaram por não participarem, em 2013, do novo Programa de Pós-Graduação em Rede. São elas: UFMG, UFOP e UFV. Por outro lado, o Programa Multicêntrico em Química teve em 2013 o apoio e participação efetiva das seguintes IES: UFJF, UNIFAL, UFU, UFLA, UFSJ, UFTM, UFVJM, UNIFEI. Em 2015 UFOP, UFV e CEFET-MG foram inseridas como IES Associadas no Programa de Pós-graduação Multicêntrico em Química de Minas Gerais.
Importante enfatizar que a RQ-MG considera que a participação efetiva de alunos de Pós-Graduação em projetos envolvendo dois ou mais pesquisadores de instituições diferentes, ou da mesma universidade, é fundamental para consolidar uma colaboração científica de forma eficiente e produtiva. Esta proposta de Pós-Graduação Multicêntrica organizada pela Rede vem precisamente preencher esta lacuna existente em Minas Gerais. Ou seja, temos um grande número de pesquisadores distribuídos em todo o vasto território mineiro, com comprovada capacidade em suas respectivas áreas de atuação, mas geograficamente isolados em sua região, carecendo de um mecanismo objetivo que permita uma colaboração científica com outros grupos de pesquisa. Acreditamos fortemente que o PPGMQ-MGi organizado pela Rede Mineira de Química possa desempenhar este papel.